Histórias pra Boi Dormir

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Casa Nova

[30 Junho 2007]
Eu mandei redirecionar, mas vai que a coisa falha, tô avisando aqui também!
http://historiapraboi.awardspace.com
Corre pra lá véi!!!

Cagadas no mundo pós-contemporâneo II

[18 Junho 2007]
Tinha sido tudo tão confuso que eu não conseguia me lembrar direito. Ou talvez fosse efeito das coisas que eu tinha bebido antes de me retirar ao meu quarto. Não que eu lembrasse também das bebidas, mas minha cabeça reclamava de uma forma interessante sobre algo relacionado a isso, além do meu fígado não reclamar de nada, como se não tivesse forças nem pra isso.

Enfim, a questão é que aos poucos ia me lembrando que, depois do capitão ir dormir, eu tinha resolvido fazer um lanchinho inocente na cozinha. De alguma forma, minha cabeça me avisava que eu ia me meter em encrenca fazendo isso, talvez porque ela seja vidente, ou talvez porque ela soubesse que eu tinha visto umas garrafas de aguardente de Plutão guardadas no armário, e soubesse também que eu seria tentado a bebê-las só de estar no mesmo ambiente que elas.

Enquanto eu me lembrava de tudo isso, o capitão continuava a olhar furioso pra mim, de forma que minha cabeça começava a pensar numa forma de chegar às cápsulas de escape da nave antes dele me pegar. Meu corpo, obviamente, concordava com a idéia de sair daquele lugar que, no momento, oferecia grande perigo, mas receava que não tivesse forças pra isso. Minha cabeça amaldiçoou meu corpo, e se concentrou então, em tentar conversar com o capitão para ganhar tempo.

-Bem capitão. Antes de tudo, gostaria de dizer que a culpa não foi minha, MAS... – o capitão já se preparava pra me cortar por não acreditar - ... sei de quem foi.

Ele teria franzido a testa, nesse momento, se ele conseguisse faze-lo. Não o fez, por não conseguir. Me olhou profundamente, procurando alguma marca em meu rosto que denunciasse minha mentira. Não encontrou, por que eu era perito em mentir. E porque, dessa vez, não estava mentindo.

-Então – disse ele, gravemente – de quem foi a culpa?

Ele tinha entrado em um ponto delicado. Afinal, eu disse que sabia de quem era a culpa, e não que estava disposto a contar pra ele. Contudo, parece que ele entendeu exatamente isso. O fato é que agora corria riscos dos dois lados. Não contando, a culpa cairia sobre mim, e provavelmente, minha vida estaria correndo sérios riscos. Contando, eu teria certeza que minha vida corria riscos.

Nesse momento, minha cabeça decidiu que isso era culpa do meu corpo, que ela não tinha nada com isso, e se refugiou no fundo de suas idéias. Meu corpo, pra variar, não estava se agüentando em pé, e não tinha condições de decidir o que fazer. Eu, obviamente, estava fudido, quando, de repente, surgiu quem tinha me posto naquela situação, pra tentar me tirar de lá: ela!

Para ler a primeira parte, clique no marcador Cagadas no mundo pós-contemporâneo logo abaixo.

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Afrotrip V: A conexão

[13 Junho 2007]
De onibus, Diego foi levado até o saguão do aeroporto, onde, na teoria, ele passaria pela imigração e rumaria até a area de embarques nacionais, pegando assim a conexão de Johanesburgh para Cape Town. Chegando ao tal saguão, Diego pôde contemplar uma fila, no minimo, grande pra cacete. "Fodeu" pensou ele," eu tenho uma hora e meia pra fazer a conexão...e nem sei que fila pegar"
Entrou numa fila aleatória, perguntando-se se estava na correta. Dez minutos depois, teve a impressão de ter ouvido algo em português. Apurou a audição, percebendo assim um grupo com quatro brasileiros, numa outra fila. Saiu de sua fila e foi falar com eles.
-Vocês são brasileiros?
-Sim- respondeu um deles- você sabe se é essa a fila que a gente tem que pegar?
-Sei lá. Num tem pra quem perguntar.
-Verdade.
Conversaram amenidades por cerca de uma hora, e Diego descobriu que eles iam para a mesma cidade que ele, porém para outra escola. Diego percebeu que não tinha andado nem quatro metros na fila.
-Gente- Disse ele- Faltam vinte minutos pro vôo sair...
Sem nada dizer, um dos brasileiros separou-se dos demais, indo ter com um segurança. Foi levado, então, para o começo da fila. Dois minutos depois, voltou correndo, gritando:
-A gente tá do lado errado do aeroporto!
-Como assim?- Perguntou Diego
-É por aquele corredor- Indicou o homem.
Sem nada dizer, os cinco sairam correndo, carregando mochilas desajeitadamente. Ao olhar para tras, Diego percebeu que não eram os unicos naquela situação, e que os gritos de seu novo amigo haviam surtido efeito em varias outras pessoas. Inumeros homens, mulheres e crianças os seguiam, todos correndo. O garoto olhou o relógio. Dez minutos para a decolagem.
Chegaram então à mais cabines, estas sem fila nenhuma.
-Vamos um em cada uma. a gente se encontra do outro lado- Disse um dos rapazes.
Diego foi para a cabine na extrema esquerda. O atendente era um negro com uma cara extremamente simpática.
-How you doing?- Disse o atendente.
-Fine. Fast please, my flight is taking off in seven minutes!- Disse ele, surpreendendo-se com a frase.
-ok, ok...why are you here?
-To study english.
-Fine.
Depois, o atendente fuzou no computador durante um periodo de quinze segundos, arrastados como horas.
-There you go- disse ele, devolvendo o passaporte para o garoto- Good luck catching that plane.
Passando pela cabine, Diego procurou por seus amigos. Ao invés de encontrá-los, porem, ele encontrou sua mala. "Fodeu", pensou ele "agora eu tenho que fazer o check in de novo."
Sem perder mais tempo, pegou sua mala e correu pelos portões, emputecendo-se ainda mais com um novo corredor, extremamente extenso, com placas que iam até a plataforma de numero 118.
-You goin' to Cape Town?- DIsse um homem negro, com dreads enormes, vestido de laranja, identificado como "assistance".
-Yes-Respondeu ele.
-Gimme that bag, man(mãn). Folow me.
Depois disso, o homem lançou-se por escadas rolantes, as quais o garoto nem sequer tinha visto, ja que estas estavam na lateral logo atras dele.
-You are goin' to give me a nice tip for this!- Disse o homem.
-As long as you take me to the plane on time.- Respondeu ele, pensando que não ligava de pagar 10 dólares desde que não precisasse passar pela burocracia de encontrar outro vôo.
Ao fim da ecada, mais um saguão. O homem saiu pelas portas do aeroporto, o que fez Diego achar que ele estava sendo roubado.
-Come on, man(mãn), tou wastin' time!
Depois de seguir o homem por uma enorme calçada, diego chegou à area de vôos nacionais.(Da calçada, podia-se ver grandes obras, que mais tarde Diego soube ser a ampliação do aeroporto, o que justificou ele ter tido que sair do aeroporto para ir à area nacional)
|O homem levou-o direto até o check-in, furando a fila e descontentando muita gente.
-Now listen: you have to go through those gates, and then proceed to platform 14. Hurry.
Diego deu o dinheiro prometido, e correu como nunca, ja tirando o cinto. Passou pelo portão, e rumou até a plataforma 14. "Ótimo, não troquei dinheiro", pensou ele.
Ao chegar lá, porem, encontrou seus amigos sentados." Perdi o Vôo", pensou ele.
-Que houve?
-Falta de combustivel... nosso vôo sai daqui duas horas e meia.
Diego não sabia se ria ou se chorava Então riu.
-Por que vocês não me esperaram?- Perguntou ele.
-Cara, você passou por lá antes de nós. ALias, você percebeu que nossas malas estavam lá?
-Percebi...
O tempo de espera passou rápido, com conversas animadas e muitas risadas.
Ao entrar no avião, Diego estava exausto, e nem viu a decolagem. Seu ultimo pensamento foi: "Será que, depois de duas horas e meia de atraso, ainda tem alguem me esperando lá?"


Ráááá!
Depois de muito tempo sem postar, aqui estou eu. Sinto muito a ausencia, mas retomei um velho projeto meu: um livro de ficção.
Bom, espero que alguem goste do texto!
Diego

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Fuga

[03 Junho 2007]
Minha cabeça girava e tudo que eu queria era escrever. Escrever pra por pra fora tudo que tava engasgado há bastante tempo já, pra exprimir o que eu andava sentindo, tudo que me enchia a cabeça. Mas, essa mesma cabeça rodava, nesse instante, pela dose excessivamente grande de uísque que agora se alastrava pela minha circulação e me embriagava.

Bebi. Havia prometido, desde o último porre, que não beberia mais. Mas não dava. A vida, ah, a minha vida, aquela... aquela bosta! Era tudo que eu não quis pra mim. Não, mentira, era tudo que eu sempre quis. O problema é que eu não sabia o que queria, não sabia o que me esperava. E agora, era tarde. Eram 3h35 da manhã, tardíssimo pra alguém que tinha que acordar cedo e ir trabalhar.

Mas, naquele momento inebriante, eu só queria escrever. Minha mão fugia ao meu controle enquanto tentava, em vão, fazer os primeiros rabiscos legíveis com a caneta na folha de papel. Mas também, o que eu escreveria? Que a vida que queriam pra mim não era a vida que eu realmente deveria querer? Era ridículo, fugia completamente à idéia de pessoa sensata e bem sucedida que faziam de mim, que eu fazia de mim. Mas, na minha cabeça rodopiante, essas idéias tinham completo fundamento, todo o sentido do mundo!

Debrucei-me sobre a mesa. A luminária iluminava minha orelha esquerda, a folha de papel, agora amassada e cheia de rabiscos, mais algumas porcarias tolas e um porta-retrato. Minha cabeça ainda rodava muito, e o álcool no sangue fazia a mulher estampada no porta-retratos parecer muito mais bonita do que ela era, e ela era muito bonita. Ao vê-la, trouxe-a pra perto de mim, cerrei os olhos, adormeci.

No dia seguinte, sóbrio, sem rodopios, sem álcool, sem insanidades, minha vida parecia muito, muito melhor. Joguei fora o caderno, a caneta, a garrafa de uísque, e o porta-retrato. A foto guardei, numa caixa, esquecida dentro de um armário. Ela poderia servir pra rir do passado, num futuro muito, muito distante.

Eu deveria ter postado a continuação do último texto, ou deixado o Diego postar. Mas, esse texto surgiu de repente, e precisava postá-lo. Sei que o Diego não liga, nem o último texto. A continuação ainda vem.

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Cagadas no mundo pós-contemporâneo

[15 Maio 2007]
- Abre essa porta!

Acordei assustado com o grito. Olhei no relógio do braço esquerdo - eram quatro horas da manhã, mas em algum planeta distante que eu já não lembrava mais nem o nome. Contudo, no do braço direito...

- Abre!!

Nunca soube a hora no relógio do braço direito, pois não cheguei a olhar. O que não fazia diferença, já que ele marcava a hora de algum outro planeta distante.

Levantei da cama, e, após o terceiro grito vindo do corredor, meu cérebro se tocou que talvez fosse uma boa idéia abrir a porta. Meu corpo, que de início não concordou com meu cérebro (e essa era uma constante em minha vida) acabou cedendo, e, enquanto ambos ouviam o quarto grito, se juntaram e abriram a porta.

No corredor de paredes brancas (sujas e mal cuidadas), em pé, com um olhar mortífero e uma cara zangada (embora ele não pudesse mudar de expressão e essa pudesse ser considerada sua cara normal), estava o capitão. Àquela visão, meu corpo bradou ao meu cérebro que havia sido uma péssima idéia abrir a porta. O cinzento, resoluto, teve que concordar.

-Bom dia! Ou seria boa tarde? - essa dúvida sempre me afligia quando voava pelo espaço aberto - talvez boa noite...

- Seja dia, tarde ou noite, não tem nada de bom - o capitão disse isso sem mover sequer um músculo da face. Talvez isso se devesse ao fato de que, sendo de uma espécie oriental muito esquisita, ele não possuia músculos na cara, e emitia sons de uma forma inexplicável - pelo menos para mim, que nunca me preocupei em descobrir.

- Não? Ah... e por que não?

- Hum... - me encarou como se quisesse me explodir, mas não pudesse. De fato queria, e de fato, não podia - talvez porque, depois de ter colocado a nave no automático, trancado a ponte de comando e ter ido dormir, alguém conseguiu, de uma forma ainda desconhecida para mim, invadir a ponte e, usando a minha senha, zonear a nossa rota.

Senti que, de alguma forma, eu poderia estar relacionado a esse fato esquisito. Mas, por mais que tentasse, não me lembrava de nada. Meu corpo, nesse momento, tentava me lançar para longe dali, mas minha cabeça me dizia que era melhor ficar. Fui ficando, e ele continuou.

- Agora, neste momento, estamos encalhados entre dois buracos negros e uma fenda espaço-temporal, que pode nos jogar sabe-se-lá onde! Qualquer movimento em falso pode nos matar ou mandarmos tempo a dentro. - nesse momento, ele, mesmo sem músculos faciais, estreitou os olhos e me olhou profundamente - Você tem idéia de como isso aconteceu?

Uma forçada mais forte na memória me trouxe tudo à tona. E eu, de súbito, soube de quem era a culpa (surpreendentemente, não era minha!): era dela!

Continua...

Texto clara, descarada e bizarramente inspirado nas aventuras de Arthur Dent e Ford Prefect, na trilogia que ja deve ter uns cinco livros, de O Guia do Mochileiro das Galáxias .

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